O Marketing da Verdade

A transformação que o mundo sofreu nos últimos anos acarreta em um enorme impacto socio-ambiental-econômico por meio de nossas transações comerciais.


A transformação que o mundo sofreu nos últimos anos acarreta em um enorme impacto socio-ambiental-econômico por meio de nossas transações comerciais. Os seus efeitos estão sendo cada vez mais compreendidos e as relações entre consumidores e seus produtos/serviços serão afetados com maior intensidade daqui em diante.

Já se pensou que o capitalismo iria ruir, que o terrorismo iria imperar, até que o mundo iria acabar. Mas, ainda que ele acabe um dia, até lá o que vai dominar o fluxo vital financeiro é o consumo. Cada vez mais o marketing. Segundo Luiz Felipe Pondé em seu livro Marketing Existencial/2017, todas as ciências servirão ao marketing. O marketing é a ciência ontológica deste século; é “a ciência por excelência”. Tudo será dotado de valores subjetivos e objetivos lapidados e evidenciados pelo marketing ou para que este faça uso desses recursos.

Nesta vertente de novas realidades habitadas por pessoas mais “bem resolvidas”, seja em seus estilos, intelectualidades ou nobreza natural, um fato brota: as pessoas estão cansadas da “conversa fiada do marketing”. Quem está exposto às abordagens publicitárias/mercadológicas desde que nasceu, está “calejado” com tudo isso. Não é nem que se elas irritem; elas simplesmente não ligam mais. Como é sabido, desde a Bíblia até os livros de auto-ajuda, o ódio não é o oposto do amor; o oposto do amor é a indiferença. Então a questão é que estas abordagens não fazem diferença nenhuma frente aos seus pretendidos consumidores quando não falam ao coração deles. Ficam como aqueles cãezinhos que o dono nem liga mais e ele continua pulando com a língua de fora aos seus pés.

O consumidor, a justiça, o senso comum e as empresas estão “acordando” para uma realidade: um cenário no qual há pessoas (e estão aumentando) que não querem mais e não se deixam mais enganar pela imposição persuasiva da abordagem mercadológica publicitária.

Conforme divulgado no jornal diário Valor Econômico aos 19 dias de janeiro de 2016, “a Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça, multou (...) duas grandes operadoras de telefone móvel em somas de 2,260 milhões e 1,654 milhões por ‘suposta enganosidade em promoções’ e ‘violação aos princípios da boa fé e da transparência’”. Isso materializa o reconhecimento deste fato.

É evidente que não estamos falando de uma regra geral. Há variáveis amplas de um extremo ao outro e há públicos para todas as abordagens. Estamos falando da já existência deste público: um grupo de pessoas para o qual uma mentira explicita como “o sol azul”, por exemplo, é mais verdadeira do que muitas artimanhas perceptíveis do marketing; um público que considera a obviedade em se tratar de uma brincadeira ser mais honesta do que a situação do 1,99, pois há transparência e verdade à medida que não há a tentava de se persuadir com um “engano”.

É aí que está o Marketing da Verdade. Estamos falando de uma orientação para se vender produtos e serviços com a evidência, o destaque de informações verdadeiras e relevantes, com eficácia e beleza a respeito deles sim, mas com sinceridade para que os consumidores possam, informados, tomar suas decisões de compra. Uma política relacional, um valor ou uma orientação de conduta institucional que, permeando a Cultura da empresa, determina a forma de abordagem, o conteúdo e a finalização do texto publicitário adotados nos diversos canais de comunicação utilizados pelo marketing. Esta determinação é espontânea, fluida, torna-se natural e instintiva uma vez a verdade é tida como norte do posicionamento de marketing.

O Marketing da Verdade é “não precisar rebolar tanto”. É transparecer o valor diferencial real sem ser fake. E isso liberta a empresa. Ao utilizar-se do Marketing da Verdade a empresa está livre do empecilho de ser desagradável ao tentar “persuadir a todo custo”. Está livre pelo simples fato de não conter uma manobra estratégica “espertinha” em sua argumentação de venda.

Isto é claramente percebido pelas pessoas e imediatamente considerado por elas em suas decisões de compra, mesmo que inconscientemente.

Mas não é todo produto que pode ser vendido com a verdade, isso é bem verdade. Defendo aqui que já temos este espaço, que já há consumidores que consomem a verdade e que há empresas e produtos que podem fazer uso deste processo de venda, que só não foi tão utilizado com mais ênfase até hoje porque todos estavam encantados com o poder de vendas do

Marketing Regular (digamos), com esta ânsia de vender a qualquer custo, seja com o argumento que for, desde que venda. E não discutimos aqui a eficácia imediata desta forma; ela vende mesmo. Porém seu reflexo varia (cada vez com mais força daqui em diante) da não fidelização à repelência do cliente, à medida que a oportunidade de transparência não é aproveitada.

Os jovens diretores de redação e de arte das agências de comunicação modernas podem “fazer um strike” na criação de uma nova cultura de consumo. E vai partir daí, da formação de opinião e da coragem que a vanguarda requer, com anunciantes, profissionais e veículos que farão as grandes peças exemplares e norteadoras deste conceito. O consumidor para isso já existe e ele espera ansioso que a verdade se manifeste. Mas a mensagem carregada de verdade vai partir do emissor, do cliente anunciante e do agente anunciador; não tem como partir do receptor. Regra básica da comunicação.

Uma nova cultura leva tempo, requer empenho dos geradores e aderência dos consumidores para ser estabelecida. No entanto, a força motriz que move o mercado, a necessidade de vender, o senso mercadológico comum já está “sentindo a onda” e tem treinado para surfa-la. E é chegada esta fase. É chegada a era da verdade. Um tempo em que a transparência se estabelece naturalmente.

Com o Blockchain se descortinando no horizonte, está claro o fato de a verdade ser “a bola da vez". No registro temporal e inviolável que a plataforma criada por Satoshi Nakamoto materializa, tudo que for verdadeiro terá mais força, terá mais fluxo e segurança, dando poder às pessoas para usufruírem do valor que elas próprias criam, cortando caminhos dispendiosos e desnecessários. O Blockchain também cria uma cultura e esta é a mesma que o Marketing da Verdade propõe. A confiança técnica e a transparência relacional são os valores tangíveis e intangíveis que permeiam nossa nova realidade.

Coragem a todos!

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Por Comunicação


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