O País dos Negócios Sustentáveis

As transformações pelas quais o mundo passa vêem em ondas, como no mar. Há um ciclo com algum padrão matemático equivalente às fases da lua, solstícios e equinócios, ano, mês, dia, milésimo de segundo. Há ciclos maiores como décadas e séculos e há, entre estas medidas todas, períodos ma


As transformações pelas quais o mundo passa vêem em ondas, como no mar. Há um ciclo com algum padrão matemático equivalente às fases da lua, solstícios e equinócios, ano, mês, dia, milésimo de segundo. Há ciclos maiores como décadas e séculos e há, entre estas medidas todas, períodos mais orgânicos, sem uma definição cronológica exata, porém com a mesma ciclicidade dos anteriores.

O desenvolvimento socioeconômico apresenta um ciclo deste tipo. Temos momentos marcantes que inauguraram novas realidades da comunidade global. O mundo era um antes e foi outro depois destes períodos. São momentos que marcam revoluções reais e profundas da vida humana na terra. 

Voltando na história um pouco, menos de dois séculos, a invenção da lâmpada em torno de 1850, por exemplo, foi um período deste; a revolução industrial junto com o avião comercial em torno de 1900 foi outro; a revolução cultural com música e liberdade de expressão a partir da década de 1950 também. 

No tempo atual, a tecnologia que temos e a cultura que alcançamos (a parte boa, é claro), nos dão condições de operar uma nova revolução. Na verdade ela é auto-rum, não precisamos fazer nada. Já está acontecendo. Estamos passando por este momento quer tenhamos consciência dele ou não.

Esta nova revolução é de mudança de postura e comportamento. É ética e moral. É uma transformação de entendimento que, pela primeira vez na história da humanidade, eleva o consciente coletivo para um patamar transparente. Devido às tecnologias de comunicação, este entendimento não é alcançado isoladamente, por um indivíduo solitário em uma mega metrópole global ou nos interiores do nosso país. Tudo é compartilhado e isso catalisa o lapidar deste entendimento, conectando pessoas que aprimoram seus pontos de vista, “afiando” um ao outro em direção a esta nova consciência moral.

Este novo entendimento afeta diretamente o mercado, o consumo, pois tem tudo a ver com ele. Esta ética e moral que as novas gerações comungam trata do ser, antes do ter, das relações verdadeiras antes do consumismo. Trata-se de fazer menos estragos, de gerar menos resíduos, de o “menos ser mais”, de se perceber valor nas relações verdadeiras em detrimento da superficialidade.

E em paralelo com os vestígios ainda volumosos da “sociedade do ter” principalmente em um país de desigualdade social mais grave que outros, como o Brasil, este grupo cresce e avança, entrando no mercado, ocupando funções e postos de trabalho e, inevitavelmente, pela natureza da nossa população, empreendendo em negócios que virão a ser, por estarem carregados destes valores, revolucionários.

Nossa operação vigente de lavagem dos “bandidos de colarinho branco” é uma revolução audaciosa pela qual muitos países precisarão passar também. Há “países desenvolvidos” tão ou mais corruptos que o nosso e eles terão que alcançar este valioso avanço social junto à sua nação. Nossa agricultura está beirando uma revolução mundial com novas práticas aderidas nesta última década que pode nos colocar como o principal produtor de alimentos global. Quando o Banco Real em 1999, digamos, “aderiu à sustentabilidade”, nem o Banco Mundial fazia isso ainda! Foi ousado e arriscado. Imagino eu que o seu presidente, na época, passou perto de perder o emprego. Hoje este é o diferencial do Santander, que comprou aquele banco.

Portanto há um pioneirismo explícito no Brasil. E em meio a atrasos como o caso da nossa educação que figura como as piores do mundo, há oportunidades únicas de se fazer revoluções. Como sabemos, crises estabelecem estas oportunidades. A transformação do entendimento é tão implacável que, uma vez enraizada em uma geração e somada ao espírito empreendedor do brasileiro, que é dos mais altos índices do mundo, potencializa esta onda a uma tsunami de transformação.

E esta força está no ambiente empresarial. O empreendedorismo e criatividade do nosso povo empodera a iniciativa privada. A liderança que o Brasil faz brotar para este desenvolvimento sustentável vem das empresas, formada por este perfil de gestor que está assumindo as rédeas com as novas gerações.

A iniciativa privada lidera este processo, pois tem as melhores condições físico-químicas, socio-economicas, administrativo-financeiras, jurídico-burocráticas e de qualquer outra natureza para fazer isso acontecer. É vocação das empresa gerir, não do governo. O Governo, como o devido respeito, deve dar as condições para que as empresas operem; deve estabelecer a infraestrutura física e burocrática, supervisionar e promover o processo. As empresas privadas com seus empreendedores é que têm as condições e a vocação natural para “colocar a mão na massa” da produção e da gestão de todos os ramos da economia, da saúde à educação, da logística à comercialização internacional.

Estamos nós, então, diante desta nova revolução. Nos três exemplos que citamos acima vemos um ciclo de cerca de 50 anos. Foram transformações globais, porém o Brasil fez parte de todas elas de forma particularmente enfática. 

Na sequencia da grande invenção de Thomas Edson, o Rio de Janeiro foi uma das primeiras cidades do mundo a ter iluminação pública elétrica. O Santos Dumont fez o primeiro voo mundial assistido publicamente, embora haja casos paralelos reivindicados para a mesma invenção. O que aconteceu culturalmente no planeta nos anos 1950 fez surgir uma identidade em nosso país que nos identifica e fortalece atualmente mundo afora. O fato é que o Brasil sempre protagonizou estas transformações positivas pelas quais o mundo passa. E estamos aqui, diante de mais uma época desta, de um novo fechamento de ciclo de 50 anos.

Depois da construção de Brasília nas décadas de 50 e 60 e o longo período que se decorreu de lá pra cá, estamos chegando no próximo pico de onda. E este pico vem com toda esta característica que explanamos acima, com todas estas possibilidades e mentes novas em ação. 

Esta realidade nos dá a condição de sermos O País dos Negócios Sustentáveis, uma nação próspera pela própria natureza, com empreendedores que fazem revoluções locais, das mais variadas proporções, pois temos grandes empresas também com estas consciências instaladas. Temos a condição, mais uma vez, de protagonizar uma transformação pela qual o mundo clama, por meio de empresas eficientes, que agridem menos, beneficiam mais e lucram melhor.

Temos tudo pra isso. Mas precisamos de bom ânimo, força e fé.

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Por Comunicação Marcelo Salvador Storti


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